Editorial
Crise de confiança
A 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que começa nesta terça-feira (8), em Nova York, coloca no centro do debate um desafio que ultrapassa a própria instituição: como restaurar a confiança na cooperação internacional em um mundo cada vez mais fragmentado, que enfrenta tensões geopolíticas, conflitos, crise climática, mudanças tecnológicas e dificuldades para financiar o desenvolvimento.
A ONU está pressionada pela perda de capacidade de articulação entre as grandes potências e pelo questionamento do multilateralismo. Nesse cenário, os 193 países-membros precisam ir além dos discursos e dos compromissos genéricos. A gravidade dos problemas internacionais exige resultados concretos, metas verificáveis e prazos definidos.
É preciso cobrar avanços efetivos na construção da paz, no enfrentamento das mudanças climáticas, no combate à pobreza, no financiamento do desenvolvimento e na prevenção de novas crises. Da mesma forma, a organização precisa encontrar respostas para os impactos das novas tecnologias.
A última Assembleia Geral de António Guterres como secretário-geral também confere significado especial à sessão. Mais do que renovar compromissos, o momento exige uma reflexão sobre a capacidade da ONU de transformar decisões em ações. A organização continua indispensável, mas não pode se contentar com o papel de palco para declarações diplomáticas.
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