Editorial
Estagnação
O resultado do Pisa 2025 confirma um diagnóstico que o Brasil já não pode ignorar: a educação básica continua presa a um patamar insuficiente de aprendizagem. Coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) mede, entre jovens de 15 anos, a capacidade de aplicar conhecimentos de Matemática, Leitura e Ciências na resolução de problemas e em situações da vida real. Mais do que estabelecer um ranking entre países, a avaliação oferece um retrato da qualidade da aprendizagem.
No caso brasileiro, esse retrato é preocupante. Embora o país tenha avançado no longo prazo, com crescimento nas três áreas desde 2006, os resultados mais recentes revelam estagnação. O dado mais alarmante está na Matemática: apenas 28% dos estudantes brasileiros atingiram o nível básico de proficiência. Em Leitura e Ciências, os índices também são baixos.
É preciso transformar diagnósticos como o do Pisa em políticas capazes de produzir resultados concretos. Isso exige recuperação das defasagens de aprendizagem, valorização e formação continuada dos professores, melhoria das condições das escolas, fortalecimento do ambiente escolar e maior participação das famílias. Exige, sobretudo, continuidade. A educação não pode ficar submetida a ciclos políticos, mudanças de governo ou soluções de curto prazo.