Celebração
Santa Casa de Maceió, 175 anos
Cheguei à Santa Casa de Misericórdia de Maceió no final do ano de 1975. O hospital então abrigava o curso de Medicina da Ufal e era responsável pela maior parte do atendimento aos pacientes indigentes do estado. Era um hospital muito diferente do atual. No dia 7 de setembro de 2026, a instituição completou 175 anos de existência, dos quais há uma longa história que resumiremos abaixo.
A Santa Casa de Maceió teve origem no Compromisso da Misericórdia de Lisboa, que originalmente foi estabelecido em 1498, com a aprovação do rei D. Manuel I e, posteriormente, pelo papa Alexandre VI. O Compromisso era baseado nos ensinamentos de São Tomás de Aquino e passou a regulamentar o funcionamento das Santas Casas de Misericórdia, que surgiram por intervenção da rainha Leonor de Avis, viúva do rei D. João II de Portugal e instituidora da invocação a Nossa Senhora da Misericórdia.
A atuação dessas instituições apresentou duas fases: a primeira compreendeu o período de meados do século XVIII até 1837, de natureza caritativa; a segunda, o período de 1838 a 1940, com preocupações de natureza filantrópica.
No Brasil, as Santas Casas de Misericórdia foram, ainda, anteriores ao próprio Estado brasileiro, criado por meio da Constituição Imperial de 25 de março de 1824. As Santas Casas no Brasil tiveram como pioneiras as de Olinda (1539) e Santos (1549). De 1822 a 1889, foram criadas 58 novas Santas Casas de Misericórdia no Brasil, entre elas a Santa Casa de Misericórdia de Maceió, em 1851.
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Em Maceió, a primeira unidade hospitalar da Santa Casa foi construída sob a coordenação do pároco da capital, cônego João Barbosa Cordeiro, que contou com a ajuda das irmãs vicentinas e inúmeras doações. O terreno veio do advogado João Camilo de Araújo, e o engenheiro civil Pedro José Azevedo Sharamback projetou o prédio. Esse mesmo engenheiro foi o responsável pelos prédios da Assembleia Legislativa, Mercado Público, Fazenda Estadual (atual Ministério da Fazenda) e Liceu de Artes e Ofícios (atual espaço cultural da Ufal na Praça Sinimbu).
A pedra fundamental do Hospital de Caridade São Vicente de Paula foi lançada no dia 7 de setembro de 1851 pelo vice-presidente da Província, Manuel Sobral Pinto. Em 1º de março de 1855, o Dr. Antônio Coelho de Sá e Albuquerque, então presidente da Província, afirmou: “Mandei contratar em Paris a vinda de duas irmãs de caridade e de um missionário lazarista para se ocuparem do serviço interno do Hospital. A humanidade, zelo e caridade dessas santas criaturas são hoje proverbiais em todo o mundo”.
O Compromisso da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, sob a invocação de São Vicente de Paulo, somente foi aprovado por meio da Resolução número 314, de 23 de abril de 1857. A parte religiosa do compromisso já havia sido aprovada pelo bispo diocesano em 1855. A instalação da Irmandade aconteceu.
A segunda unidade hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Maceió foi a Maternidade Sampaio Marques, que surgiu de uma iniciativa do governador de Alagoas, Clodoaldo da Fonseca, que, em 1912, propôs a construção de uma maternidade.
Segundo pesquisa de Álvaro Queiroz para o livro História de um Hospital de Caridade, há registro de provedores, entre eles Sizenando Nabuco, Tarcísio de Jesus, Lourival Nunes da Costa e Humberto Gomes de Melo, atual provedor, que desenvolveu e qualificou muito a instituição.
A Santa Casa de Misericórdia de Maceió, nesse período, tornou-se pioneira em transplantes de órgãos (coração, rim e fígado) e tem o maior Centro de Alta Complexidade em Câncer (Cacon) do estado, entre outros avanços, sem nunca ter deixado de atender à população carente. Tem 3.000 colaboradores, sendo a instituição hospitalar que mais atende pacientes de convênios e do SUS em Alagoas.