Editorial
Orçamento pressionado
A inflação de setembro acende um alerta sobre o custo de vida no país. A alta de 0,82% do IPCA, após a deflação de agosto, elevou o índice acumulado em 12 meses para 4,58%, acima do teto da meta. Mais do que um indicador econômico, o resultado reflete dificuldades concretas para as famílias, especialmente as de menor renda, que destinam parcela maior do orçamento à alimentação e às despesas essenciais.
O encarecimento de alimentos como tomate, batata e cebola, somado à alta dos combustíveis e da energia elétrica, reforça a percepção de perda do poder de compra. Embora parte da pressão sobre a conta de luz seja temporária, as incertezas climáticas e a instabilidade internacional podem prolongar a trajetória de alta de outros preços.
cenário exige atenção do governo e cautela na condução da política econômica. Conter a inflação é fundamental para preservar a renda, sobretudo dos mais pobres, sem comprometer a atividade produtiva. Ao Banco Central cabe acompanhar a evolução dos preços e das expectativas antes de definir os próximos passos dos juros.
O governo deve contribuir para um ambiente de estabilidade econômica e responsabilidade fiscal. Afinal, quando os preços sobem acima da capacidade de compra da população, os efeitos ultrapassam as estatísticas e atingem diretamente a qualidade de vida.
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