Editorial
Infância preservada
A queda de 9,2% no número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no Brasil, em 2025, é um avanço que merece ser reconhecido. Segundo o IBGE, o contingente recuou para 1,499 milhão, o menor da série histórica iniciada em 2016. O resultado demonstra que políticas públicas de proteção social, associadas à melhoria da renda e ao aquecimento do mercado de trabalho, podem contribuir para enfrentar uma das mais persistentes formas de desigualdade do país.
O Bolsa Família teve papel decisivo nesse recuo. Das 151 mil crianças e adolescentes a menos nessa condição em relação a 2024, 144 mil pertenciam a famílias beneficiárias do programa. A transferência de renda não resolve, isoladamente, um problema de raízes profundas, mas constitui instrumento relevante para combatê-lo.
avanço, contudo, não autoriza comemoração sem ressalvas. Quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes continuam submetidos a atividades que comprometem sua educação, sua saúde e seu desenvolvimento.
Erradicar esse problema exige mais do que transferência de renda. É necessário fortalecer a fiscalização, ampliar o acesso à educação de qualidade, apoiar as famílias vulneráveis e responsabilizar quem explora a mão de obra infantil.
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