loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 04/02/2026 | Ano | Nº 6154
Maceió, AL
25° Tempo
Home > Política

Insatisfação

Vereador do PL fala em debandada se JHC mantiver aproximação com Lula

Alinhamento do prefeito com o governo petista causa desconforto entre os parlamentares do partido

Ouvir
Compartilhar
Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Whatsapp
Vereador Leonardo Dias admite deixar o PL caso JHC insista em manter aproximação com Lula
Vereador Leonardo Dias admite deixar o PL caso JHC insista em manter aproximação com Lula | Foto: Dicom CMM

A abertura dos trabalhos legislativos, realizada ontem na Câmara Municipal de Maceió, escancarou um cenário de desconforto e divisão na bancada de apoio ao prefeito JHC (PL).

O ato cumpriu o rito institucional, marcado por discursos protocolares, mas acabou se transformando em palco de cobranças nos bastidores, insatisfações e ameaças de debandada dentro do próprio Partido Liberal, especialmente após os gestos de aproximação do prefeito com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O estopim da crise, que ainda rende desdobramentos, foi o encontro do prefeito com Lula no último dia 23, durante a entrega de 118 unidades habitacionais no bairro da Serraria, na parte alta da capital. Para uma parcela expressiva da bancada do PL, o gesto extrapolou o limite do chamado “respeito institucional” e acendeu um alerta político.

Parlamentares do partido passaram a manifestar, nos bastidores e também publicamente, que não aceitam qualquer sinalização de alinhamento com o projeto petista.

Um dos principais insatisfeitos é o líder do PL na Câmara, vereador Leonardo Dias, que nem sequer compareceu à reunião convocada pelo prefeito na semana passada e não esconde a possibilidade de deixar o partido. Além dele, ao menos dois vereadores – que pediram para não ter os nomes divulgados – também ameaçam sair da legenda caso JHC insista em se aproximar do Presidente da República.

A tensão ganhou contornos ainda mais claros quando o vereador Luciano Marinho, o mais votado do partido, com cerca de 17 mil votos, afirmou que ele e outros correligionários não votarão em Lula nas eleições de outubro.

Nem mesmo o principal aliado do Executivo e presidente da Câmara, vereador Chico Filho (PL), conseguiu evitar o desgaste. Embora sustente nos bastidores a candidatura de JHC ao governo do Estado, foi taxativo ao afirmar que não vota no presidente.

“Não existe possibilidade de o nosso PL apoiar o projeto de Lula. Isso também não passa na cabeça de Jota”, declarou. Ao mesmo tempo, tentou conter a crise ao classificar a postura do prefeito como um gesto de pragmatismo institucional. “Maceió é um município pobre e não tem como ser diferente na relação institucional”.

O mal-estar foi agravado pela ausência do próprio prefeito na Sessão Especial de abertura do ano legislativo, frustração compartilhada pela maioria dos 24 vereadores da base governista entre os 27 parlamentares da Casa. No lugar de JHC, compareceu o secretário municipal de Governo, Júnior Leão, que, apesar de ser bem recebido, encontrou um ambiente dividido e precisou atuar como bombeiro político, assegurando que o prefeito será candidato a um cargo majoritário nas eleições de outubro.

Em entrevista, Júnior Leão admitiu que a candidatura ao governo do Estado está no radar. “Pode ser candidato a governador, sim. Por que não? O povo quer, e o político faz a vontade do povo”, afirmou.

O secretário revelou ainda que o prefeito já articula a montagem das chapas proporcionais do PL, com a expectativa de eleger representantes para a Assembleia Legislativa e entre dois e três deputados federais. Sobre a composição de uma eventual chapa majoritária e a escolha de um vice-governador, adotou cautela: “Ainda é cedo para essa definição”. Enquanto isso, o clima de divisão segue rondando a base, evidenciando que, no jogo político, gestos simbólicos podem custar caro.

Relacionadas