Eleições 2026
Após aceno a Lula, JHC busca Valdemar em Brasília para acelerar articulações
Encontro ocorre em meio à proximidade do prazo final para filiações e necessidade de definir chapas


O prefeito de Maceió e presidente estadual do Partido Liberal (PL), JHC, intensificou nesta semana as articulações políticas com foco nas eleições deste ano ao se reunir, na quinta-feira (5), em Brasília, com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto.
O encontro, na sede nacional do partido, teve caráter reservado e ocorre em um momento decisivo do calendário eleitoral, marcado pela proximidade do prazo final para filiações partidárias e pela necessidade de definição das chapas majoritárias e proporcionais em Alagoas.
A agenda com a cúpula nacional do PL acontece após uma sequência de movimentos do prefeito que repercutiram fortemente no meio político local. O primeiro deles foi o discurso feito durante a visita do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Maceió, em agenda institucional, quando JHC fez elogios ao petista.
A fala provocou reações imediatas entre lideranças bolsonaristas de Alagoas, que passaram a questionar publicamente o rumo do partido no estado e a levantar a possibilidade de uma debandada de filiados caso o prefeito optasse por uma aproximação eleitoral com o Presidente da República.
Uma semana depois, o prefeito promoveu uma reunião com vereadores, deputados e aliados políticos para discutir a formação das chapas proporcionais e o desenho da estratégia eleitoral do PL em Alagoas.
Na condição de presidente estadual da legenda, JHC assumiu o protagonismo das articulações e deixou claro que o partido precisaria ganhar musculatura para disputar o pleito com competitividade, tanto na eleição majoritária quanto na proporcional.
A ida a Brasília e o encontro com Valdemar Costa Neto ampliam esse movimento de reorganização interna. Em publicação nas redes sociais, o presidente nacional do PL afirmou que a conversa abordou temas ligados à gestão pública, aos desafios enfrentados pelas capitais e às perspectivas para fortalecer a atuação do partido em Alagoas.
À imprensa, Valdemar informou que o encontro serviu para reafirmar a confiança da direção nacional no comando de JHC à frente do PL no estado e para alinhar a estratégia local ao projeto nacional da legenda.
O gesto político ocorre em um cenário de afunilamento das forças eleitorais em Alagoas. Hoje, dois grupos aparecem como os únicos com condições reais de montar chapas majoritárias competitivas: o liderado pelo Governador Paulo Dantas (MDB) e o grupo articulado por JHC no PL. A tendência, segundo interlocutores, é que as candidaturas ao governo do estado saiam dessas duas frentes, enquanto as demais legendas buscam espaço nas disputas para o Senado ou nas chapas proporcionais.
Entre os nomes citados nas articulações para o Senado estão Alfredo Gaspar (União Brasil), Arthur Lira (PP), Davi Davino Filho (Republicanos), Renan Calheiros (MDB), Ronaldo Lessa (PDT) e Wanderley (MDB). Para a disputa ao governo, os nomes mais lembrados são o do próprio JHC e o do Ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB).
O campo liderado pelo prefeito de Maceió iniciou o processo de maneira mais intensa apenas nas últimas semanas. Aliados afirmam que JHC decidiu permanecer no PL e descartou qualquer mudança de legenda, encerrando especulações sobre uma possível migração partidária.
Também está definida a participação do prefeito na disputa eleitoral deste ano, restando apenas a decisão sobre qual cargo será pleiteado: o Governo de Alagoas ou uma das vagas ao Senado.
Nesse contexto, JHC lidera a estruturação das chapas completas pelo PL. A meta seria eleger dois parlamentares federais. Já a chapa para a Assembleia Legislativa segue em construção, com projeções que variam entre três e cinco cadeiras, a depender da composição final.
Ao levar as discussões para a direção nacional do partido, JHC sinaliza que pretende alinhar o projeto estadual ao planejamento do PL no plano nacional. O partido sinaliza que vai lançar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para candidatura à Presidência da República.
Nesse sentido, o papel do prefeito seria como principal articulador da legenda em Alagoas, responsável por conduzir o processo de montagem das chapas e liderar o grupo na disputa eleitoral, montando o palanque para o presidenciável.
