Salários
Servidores rejeitam proposta de reajuste de 4,30% da prefeitura
Vereadores se propõem a intermediar negociação do funcionalismo com o prefeito Rodrigo Cunha
A rejeição unificada de mais de 20 sindicatos de servidores públicos municipais de Maceió à proposta de reajuste salarial apresentada pela prefeitura acirrou o debate político e econômico na capital alagoana e na Câmara Municipal. A oferta de 4,30%, dividida em duas parcelas – 2% em julho e 2,30% em novembro – foi considerada insuficiente pelas categorias, que reivindicam um índice superior a 8%, com ganho real. O movimento ganhou força após representantes sindicais buscarem apoio na Câmara, na tentativa de ampliar o diálogo com o Executivo.
Durante a sessão de ontem (29), vereadores demonstraram sensibilidade à pauta e se dispuseram a atuar como mediadores nas negociações. O vereador Allan Pierre (MDB) afirmou haver disposição para a construção de uma solução consensual, posição reforçada por parlamentares como Charles Hebert (PCdoB), Teca Nelma (PT) e Samyr Malta (Podemos), que também preside a Comissão de Finanças, Orçamento e Fiscalização Financeira. A mobilização indica um raro alinhamento entre diferentes espectros políticos em torno da valorização do funcionalismo.
A insatisfação não se restringe às categorias. Parte significativa dos próprios vereadores, inclusive da base governista, demonstrou frustração com a proposta do Executivo.
O argumento central é de natureza comparativa: em 2024, com um orçamento de R$ 4,8 bilhões, o município concedeu reajuste de 5%. Já em 2025, com arrecadação ampliada em 15% e orçamento aprovado de R$ 5,6 bilhões, a expectativa era de um índice mais robusto.
Para muitos parlamentares, a proposta atual limita-se à recomposição inflacionária, sem promover ganho real aos servidores.
Na avaliação de lideranças sindicais e de vereadores como Charles Hebert, o crescimento da arrecadação municipal está diretamente ligado ao desempenho do funcionalismo público, o que justificaria um reajuste mais expressivo.
Por outro lado, a base governista busca equilibrar a pressão por reajustes com os limites fiscais. O vereador Kelmann Vieira (MDB), que atua como articulador do Executivo na Câmara, ressaltou que esta é apenas a primeira rodada de negociações e garantiu que o prefeito Rodrigo Cunha está aberto ao diálogo.