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Eleições 2026

Pré-campanha em Alagoas prioriza interior na disputa pelo governo

Com maior concentração de eleitores fora da capital, pré-candidatos intensificam agendas em municípios

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Imagem ilustrativa da imagem Pré-campanha em Alagoas prioriza interior na disputa pelo governo
| Foto: Assessoria
Imagem ilustrativa da imagem Pré-campanha em Alagoas prioriza interior na disputa pelo governo
| Foto: Divulgação pré-campanha

A pré-campanha eleitoral em Alagoas tem revelado um movimento estratégico cada vez mais evidente: a priorização do interior em detrimento de Maceió. Os principais nomes colocados na disputa pelo governo têm intensificado agendas em municípios do interior, em uma tentativa de ampliar a capilaridade política e conquistar o maior contingente de eleitores do estado.

Os números ajudam a explicar essa escolha. De acordo com dados de 2024, Alagoas possuía 2.442.894 eleitores, sendo 1.810.082 no interior, contra 632.812 na capital. Embora o cadastro de 2026 ainda esteja em consolidação pela Justiça Eleitoral, a tendência de concentração do eleitorado fora de Maceió segue como fator determinante na definição das estratégias políticas.

Nesse cenário, o ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), tem adotado uma postura clara de interiorização desde que deixou o comando da capital. Sua pré-campanha tem sido marcada por uma agenda intensa de articulações com lideranças municipais — vereadores, ex-prefeitos e grupos políticos locais — com o objetivo de ampliar sua presença além da Região Metropolitana.

Nos últimos dias, JHC percorreu municípios do Sertão, participou de eventos políticos e buscou aproximação com nomes influentes do interior. Em Arapiraca, por exemplo, esteve com o prefeito Luciano Barbosa (MDB), em um movimento interpretado como tentativa de conquistar um apoio estratégico — que, até o momento, não se concretizou publicamente.

Ainda assim, conseguiu atrair para o PSDB o advogado Lucas Barbosa, filho do prefeito, que desponta como pré-candidato a deputado estadual e é cogitado, nos bastidores, como possível nome para compor uma chapa majoritária.

A presença de JHC em São Luís do Quitunde, na sexta-feira (22), também reforça essa estratégia. O município já havia sido palco, dias antes, de uma agenda do senador Renan Filho (MDB), que esteve acompanhado de aliados locais e de lideranças como o deputado federal Arthur Lira (PP), também pré-candidato ao Senado.

Renan Filho, por sua vez, tem levado essa lógica a um nível ainda mais estruturado. Sua pré-campanha ganhou formato de caravana, batizada de “Pra Fazer História de Novo”, com uma série de agendas itinerantes que percorrem diferentes regiões do estado. Os eventos combinam atos políticos com adesivaços, carreatas e motociatas, além de discursos de apoio de prefeitos e lideranças locais.

Os números das primeiras agendas indicam a força da mobilização. No primeiro fim de semana, a caravana passou por sete municípios e reuniu grande público, mesmo sob chuva. No segundo, foram 12 cidades visitadas, mantendo o mesmo padrão de adesão. Para os próximos dias, novas ações já estão programadas, ampliando o alcance da estratégia.

A escolha pelo interior não é apenas uma questão logística, mas também política. Historicamente, os grupos com maior capilaridade municipal tendem a sair na frente em disputas majoritárias em Alagoas. Prefeitos, ex-prefeitos e lideranças locais exercem forte influência sobre o eleitorado, especialmente em cidades menores, onde o voto tende a ser mais personalizado.

Ao concentrar esforços fora da capital, os pré-candidatos buscam consolidar essas bases e reduzir riscos em um cenário competitivo. Maceió, embora relevante, representa uma fatia menor do eleitorado e, muitas vezes, apresenta comportamento eleitoral mais fragmentado, com menor previsibilidade.

Outro fator que ajuda a explicar esse movimento é o simbolismo político. Estar presente no interior, ouvir demandas locais e construir agendas regionais reforça a imagem de proximidade com o eleitor — um ativo cada vez mais valorizado em campanhas contemporâneas.

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