Legislativo
Câmara adia discussão de projetos para servidores públicos por falhas técnicas
Representantes dos servidores foram recebidos pela Mesa Diretora
Mais de 100 servidores municipais ocuparam pacificamente, na manhã dessa quarta-feira (17), as dependências da Câmara Municipal de Maceió em busca de respostas para um impasse que se arrasta há dois meses e envolve a reestruturação funcional da maioria das categorias do serviço público da capital.
Cerca de 50 representantes sindicais e de associações lotaram a sala de reuniões do Legislativo com a expectativa de discutir mudanças e definir estratégias para a votação de 14 dos 16 projetos encaminhados pelo ex-prefeito João Henrique Caldas (PSDB), em 3 de abril, último dia de sua gestão antes de se afastar para disputar as eleições.
O encontro, convocado e presidido pelo vereador Chico Filho (PSDB), terminou sem nenhuma definição concreta. A principal reclamação dos servidores foi a ausência de informações consideradas essenciais para a análise das matérias, sobretudo os estudos de impacto financeiro dos projetos que tratam da implantação de planos de cargos e salários, reorganização de carreiras, reestruturação de setores operacionais e concessão de gratificações.
A falta desses dados levantou dúvidas sobre a viabilidade das propostas e expôs fragilidades técnicas na elaboração dos textos enviados ao Legislativo. A situação tornou-se ainda mais delicada após representantes da área econômica da Prefeitura, juntamente com o líder do governo na Câmara, vereador Marcelo Palmeira (PL), informarem aos vereadores, um dia antes da reunião, que os cálculos financeiros estão sendo refeitos.
A revelação reforçou a percepção dos sindicalistas de que os projetos chegaram à Câmara sem o devido respaldo técnico e orçamentário, mesmo possuindo potencial para gerar impactos permanentes na folha de pagamento municipal. O fato ganha ainda mais relevância diante da previsão de um orçamento de R$ 5,7 bilhões para 2027, que precisará absorver os custos decorrentes das mudanças estruturais propostas sem comprometer os limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
A frustração dos servidores também decorre da demora na tramitação das matérias. Desde abril, os projetos permanecem praticamente estacionados entre a Mesa Diretora e as comissões de Constituição e Justiça e de Finanças e Orçamento, sem avanço significativo. Para os representantes das categorias, o cenário contrasta com a expectativa criada quando os projetos foram anunciados.
“Hoje o clima é de frustração”, resumiu o fiscal de postura Claudionor da Silva, ao destacar a ausência de calendário para novas negociações e para a votação das propostas.
Apesar da insatisfação, as lideranças sindicais adotaram um discurso de cautela. O delegado sindical e agente municipal de trânsito, Wagner Amaral, afirmou que não existe ambiente para radicalização. Segundo ele, as categorias apostam no diálogo como caminho para corrigir distorções identificadas nas propostas.
“Queremos discutir e negociar. Esses projetos são aguardados há mais de 20 anos”, afirmou, reforçando que o funcionalismo busca garantir que as futuras carreiras sejam estruturadas de forma justa e sustentável.
Ao final da reunião, ficou definido apenas que haverá uma nova rodada de negociações entre representantes dos servidores, vereadores e integrantes da Prefeitura, embora sem data marcada. Segundo o presidente da Câmara, o Legislativo permanece sem entrar em recesso porque ainda não votou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), peça fundamental para a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA).