Eleições 2026
Lira sinaliza que não deve obrigar prefeitos aliados a votar em JHC
Em São Sebastião, deputado afirma que respeitará acordos municipais e admite autonomia de lideranças
O deputado federal Arthur Lira (PP), candidato ao Senado, sinalizou que não pretende impor aos prefeitos ligados ao seu grupo político o apoio à candidatura do ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB) ao Governo de Alagoas. A declaração foi dada nesta semana, durante agenda de campanha em São Sebastião, e ocorre em meio à movimentação de diversos aliados de Lira que já anunciaram apoio ao candidato do MDB, Renan Filho.
Ao ser questionado sobre o que espera de JHC e do grupo neste momento da campanha, Lira afirmou que os acordos construídos pelos prefeitos nos municípios serão respeitados. O deputado também reforçou que estará na chapa de JHC na disputa pelo governo do estado.
“Olha, a gente respeita sempre as posições. [...] O JHC, ele vem no sentido de trazer uma mudança que o Estado de Alagoas espera, mas respeitando sempre os nossos acordos nos municípios que nossos prefeitos fizeram. Mas eu não posso me furtar a dizer que vou estar na chapa junto com o ex-prefeito JHC para o governo do Estado”, declarou.
Na prática, a fala representa uma sinalização de autonomia para prefeitos que, antes da definição da chapa de oposição, decidiram fechar compromissos com Renan Filho. A composição encabeçada por JHC e apoiada por Lira só foi formalizada no último dia do prazo eleitoral — 15 de agosto —, depois de semanas de indefinições sobre a candidatura ao governo e a formação da chapa majoritária.
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Durante esse período, parte dos prefeitos ligados historicamente a Lira buscou antecipar seus movimentos políticos. A aproximação com o grupo governista foi favorecida pela relação institucional com o governador Paulo Dantas e pela perspectiva de manutenção de parcerias e investimentos estaduais nos municípios, especialmente na reta final do atual mandato.
Entre os casos mais emblemáticos está a família Pereira. A prefeita de Campo Alegre, Pauline Pereira, o prefeito de Teotônio Vilela, Peu Pereira, e o deputado estadual Fernando Pereira, todos do PP, oficializaram apoio a Renan Filho. A família é historicamente associada ao grupo de Arthur Lira, mas decidiu seguir com o candidato do MDB antes mesmo da definição final da chapa de oposição.
A movimentação chegou a provocar reação do próprio Lira em julho, quando o deputado afirmou que não daria sua chancela a uma eventual aliança dos Pereira com Renan Filho. Posteriormente, porém, o grupo confirmou publicamente o apoio ao emedebista e passou a atuar no palanque do candidato.
Outro caso é o de Marlan Ferreira (PP), prefeito de Limoeiro de Anadia e aliado histórico de Lira. O gestor declarou apoio a Renan Filho durante agenda do candidato no município, em 8 de agosto, e fez críticas públicas a JHC, afirmando que o ex-prefeito não teria cumprido compromissos políticos.
A prefeita de Lagoa da Canoa, Edilza Alves (PP), também se aproximou do grupo de Renan Filho. A gestora havia sido apontada como integrante da base política de Lira e, ainda em junho, anunciou apoio ao candidato do MDB para o governo, mantendo, segundo informações divulgadas à época, o apoio a Arthur Lira para o Senado. Em agosto, Edilza voltou a aparecer em agenda política ao lado de Renan Filho, Paulo Dantas e lideranças do Agreste.
No Litoral Norte, os prefeitos Ellisson Santos, de Passo de Camaragibe, e Lívia Carla, da Barra de Santo Antônio, ambos do Republicanos, também se aproximaram do grupo governista. Os dois participaram de uma agenda com Paulo Dantas em julho e passaram a ser apontados como apoiadores de Renan Filho.
O movimento mostra que a definição da chapa de oposição ocorreu depois de parte da base municipal de Lira já ter tomado decisões próprias para a disputa pelo governo. Ao longo da pré-campanha, prefeitos ligados ao deputado passaram a negociar diretamente com o grupo de Paulo Dantas e Renan Filho, especialmente diante da demora para definir o projeto eleitoral de JHC.
A própria declaração de Lira, agora, ajuda a separar os dois movimentos eleitorais: de um lado, o compromisso do deputado com JHC na disputa pelo governo do estado; de outro, a preservação dos acordos municipais firmados por prefeitos que optaram por apoiar Renan Filho.