Concentração de votos
Polarização pode fazer eleição ser decidida no 1º turno
A disputa pelo Governo de Alagoas pode ser decidida já no primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Apesar da competitividade entre Renan Filho (MDB) e JHC (PSDB), os números das pesquisas mais recentes apontam para uma eleição fortemente polarizada e com apenas dois candidatos concentrando a maior parte das intenções de voto.
Na pesquisa estimulada da Quaest, Renan Filho aparece com 42% e JHC com 40%. O dado que mais chama atenção, entretanto, é o cenário projetado para um eventual segundo turno: os dois aparecem empatados com 42%.
Quando são considerados apenas os votos válidos — excluindo brancos, nulos e eleitores que não escolheram um candidato —, a proximidade entre os dois aumenta ainda mais. Como não há, neste momento, um terceiro nome com percentual expressivo capaz de romper a polarização, a própria configuração da disputa cria a possibilidade de que um dos dois candidatos alcance mais de 50% dos votos válidos já no primeiro turno.
O cientista político Ranulfo Paranhos explica que a matemática eleitoral é determinante para entender essa possibilidade. Segundo ele, em uma eleição polarizada entre dois nomes, a disputa do primeiro turno pode assumir características semelhantes às de um segundo turno.
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“Se eu tenho uma campanha, uma eleição polarizada, isso quer dizer que eu tenho todos os votos em dois candidatos específicos. E, se eles estão muito divididos, os dois estão agora com 42% e 40%, estão tecnicamente empatados. Quando eu vou para os votos válidos, eles se aproximam muito dos 50% mais um”, explica.
Na avaliação do cientista político, a ausência de um terceiro candidato competitivo é um dos principais elementos que favorecem a possibilidade de definição antecipada.
“Como eu não tenho um terceiro nome para retirar votos válidos, eu só tenho dois, isso quer dizer que é possível que um deles atinja 50% dos votos mais um”, afirma Paranhos.
Isso não significa, no entanto, que o segundo turno esteja descartado. O alto índice de indecisos mostrado pela pesquisa espontânea — 65% — demonstra que uma parcela expressiva do eleitorado ainda pode alterar sua escolha até a votação.
É justamente essa combinação que torna a reta final da eleição especialmente importante: de um lado, uma disputa aparentemente concentrada em Renan Filho e JHC; de outro, um contingente elevado de eleitores que ainda não declarou preferência.
Para Paranhos, caso a polarização permaneça e os demais candidatos continuem com baixa capacidade de transferência de votos, a chance de um dos dois principais concorrentes ultrapassar a marca necessária para vencer no primeiro turno aumenta.
O cenário, portanto, coloca uma questão central para as próximas semanas: a grande quantidade de indecisos pode provocar uma mudança na fotografia da eleição ou, ao contrário, acabar sendo absorvida pela polarização entre os dois principais candidatos?
A resposta estará na capacidade das campanhas de conquistar esse eleitorado antes de 4 de outubro.