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Não me contaram, eu vi: o resultado das eleições em Alagoas

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Nos últimos dias, rodei por 21 municípios alagoanos, entre Agreste, Litoral Sul e Baixo São Francisco. A missão era cumprir contatos institucionais, mas jornalista não viaja sem observar, perguntar e ouvir. Foi assim durante mais de meio século acompanhando eleições, comícios, derrotas surpreendentes e vitórias que ninguém previa. Desta vez, encontrei um clima morno, distante da efervescência de tantas campanhas anteriores. Há menos paixão pela política municipal, menos bandeiras, menos entusiasmo com candidatos locais. Em compensação, a disputa presidencial aparece com nitidez, e a preferência pelo campo petista é largamente superior no interior. Os programas sociais dos governos Lula permanecem vivos na memória popular, enquanto Flávio Bolsonaro carrega a herança do pai, o negacionismo da pandemia e as investigações sobre 2022. Minha impressão: diferente da capital, Lula deverá ter vantagem expressiva no interior.

No campo estadual, encontrei a maior distância entre o que ouço nas ruas e o que certas pesquisas mostram. Renan Filho me parece mais consistente do que João Henrique Caldas. JHC terá votação expressiva, foi prefeito da capital e domina as redes, mas governador não se elege só em Maceió ou no Instagram. Decide-se nos 102 municípios, na memória de quem já viu governar. Minha percepção é de que a disputa pode se resolver no primeiro turno, com vantagem de Renan Filho, embora política não admita sentença antecipada.

O horário eleitoral segue sem grandes projetos, terreno fértil para ataques e histórias requentadas. Duvido que haja muitos debates, e o confronto decisivo deve ficar para perto da eleição, talvez num debate da Globo. Ali, acho que JHC tem mais a perder: é ótimo comunicador digital, mas debate de governador exige domínio de orçamento, segurança, saúde, educação e capacidade de resposta rápida, terreno em que Renan Filho, com dois mandatos, Senado e Ministério dos Transportes, leva vantagem. Os dois serão atacados, e o eleitor alagoano já conhece Renan Calheiros e João Caldas há décadas. Renan Filho já ironiza o adversário como “sopa de letrinhas”.

Minha percepção mais forte, porém, é sobre o Senado. Com a saída de Alfredo Gaspar, vejo Arthur Lira caminhando para uma das maiores votações já registradas numa eleição majoritária em Alagoas, e Renan Calheiros ocupando a segunda vaga com folga. Lira construiu no interior uma rede de prefeitos e lideranças que traduz sua força na Câmara em obras e recursos, o que prefeito e vereador entendem bem. Renan Calheiros conhece como poucos o caminho das pedras da política alagoana, com estrutura consolidada mesmo com rejeição nos grandes centros. Marina Candia, jovem e forte nas redes, chega sem trajetória comparável e sem capilaridade no interior. Internet projeta, mas não substitui organização política.

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Nesses 21 municípios, as pessoas não só disseram em quem votam: explicaram por quê. E a palavra que mais apareceu foi legado. Renan Filho tem gestão concreta; Lira, poder de articulação; Renan Calheiros, décadas no centro do poder nacional.

Volto da viagem com uma convicção: se nada de extraordinário mudar o curso da eleição, os três nomes que devem ocupar os principais espaços majoritários de Alagoas são Renan Filho para o Governo, e Arthur Lira e Renan Calheiros para o Senado. Não é pesquisa, é estrada, conversa e anos de política alagoana. Posso estar errado, porque o eleitor é soberano. Mas registro hoje o que vi. Não me contaram. Eu vi.

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