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Ao vencedor, o troféu; aos alagoanos, a esperança de mudanças e avanços

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Imagem ilustrativa da imagem Ao vencedor, o troféu; aos alagoanos, a esperança de mudanças e avanços
| Foto: Divulgação

Ao vencedor pertencem a comemoração, os abraços e o reconhecimento das urnas. Aos alagoanos pertence algo mais importante: a esperança de que o resultado eleitoral se transforme em mudanças e avanços. A festa passa, os palanques são desmontados e a população retorna às suas necessidades. Há consultas esperando, empregos faltando, famílias endividadas e jovens procurando oportunidades. É diante dessa realidade que uma vitória política precisa demonstrar seu valor.

A eleição de JHC para o governo de Alagoas exige uma leitura que ultrapasse as paixões da campanha. Quem escolheu outro candidato tem o direito de preservar suas convicções, mas também precisa reconhecer os fatores que contribuíram para o resultado. A democracia exige respeito à decisão do eleitor. E o jornalismo precisa compreender o que aconteceu, inclusive quando as urnas contrariam nossas expectativas.

Um dos fundamentos dessa vitória foi construído na Prefeitura de Maceió. JHC chegou à disputa estadual com um patrimônio eleitoral expressivo: em 2024, foi reeleito prefeito com 379.544 votos, correspondentes a 83,25% dos votos válidos. Uma votação dessa dimensão revela ampla aprovação eleitoral e não pode ser tratada como detalhe. A população da capital lhe conferiu uma confiança que se tornou um dos principais argumentos de sua candidatura ao governo.

Na minha leitura, a administração de Maceió ofereceu a JHC uma vitrine política que ultrapassou os limites do município. A percepção favorável de sua gestão, reforçada pela comunicação e pelo contato com a população, alimentou a ideia de que ele poderia levar sua experiência ao Estado. O eleitor observa o que conhece, escuta pessoas próximas e compara a imagem dos candidatos com aquilo que deseja para sua cidade. Esse patrimônio contou muito.

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A força eleitoral da capital irradiou para o interior. Maceió mantém relações diárias com os municípios alagoanos. Quem vem trabalhar, estudar, buscar atendimento médico, fazer compras ou visitar familiares leva consigo impressões e experiências. Somam-se a isso as redes sociais e os meios de comunicação. A imagem da gestão municipal passou a integrar a conversa política de quem não votava para prefeito da capital, mas escolheria o próximo governador.

Houve, portanto, um efeito de propagação política: a aprovação conquistada em Maceió ajudou a despertar expectativas em outras regiões. A mensagem era compreensível para o eleitor: se havia confiança suficiente para uma reeleição tão expressiva, existia uma experiência que merecia ser considerada na disputa estadual. Isso não eliminava problemas nem dispensava críticas, mas conferia credibilidade à candidatura. Seus adversários precisavam enfrentar esse dado concreto.

A esse capital político somou-se a aliança com Arthur Lira, o grande campeão de votos na disputa para o Senado em Alagoas. Lira trouxe à composição sua experiência, suas relações municipais e sua capacidade de articulação. Conhece a política do interior, conversa com lideranças e mantém vínculos construídos ao longo de sua trajetória. Sua presença deu à candidatura de JHC uma dimensão que a popularidade na capital, sozinha, teria mais dificuldade de alcançar.

A aproximação produziu efeitos na rede de apoios. Um levantamento publicado em setembro registrou que JHC havia ampliado sua base de cerca de seis para 12 prefeitos após a aliança com Lira, embora Renan Filho mantivesse ampla vantagem entre os chefes municipais.

Esse contraste ajuda a compreender a eleição: a influência política e a decisão do eleitor não se resumem à contagem dos prefeitos presentes em cada palanque.

Na minha avaliação, Arthur Lira contribuiu para abrir caminhos, aproximar grupos e fortalecer a presença da candidatura no interior. Sua influência alcança interlocutores que vão além dos prefeitos formalmente alinhados. Vereadores, ex-prefeitos, dirigentes e lideranças comunitárias também participam da mobilização eleitoral. A combinação entre a força de JHC em Maceió e a articulação de Lira merece lugar central na análise do resultado.

O prefeito tem influência, mas o voto pertence ao cidadão. Uma declaração de apoio não garante a adesão de toda uma cidade, assim como a ausência de um prefeito no palanque não impede que uma candidatura cresça naquele município. A eleição exige compreender o ambiente, as expectativas e a disposição do eleitor para seguir ou contrariar suas lideranças. A força das estruturas políticas precisa ser examinada junto com a liberdade de escolha da população.

Reconhecer os méritos da vitória não significa apagar o trabalho de quem perdeu. Renan Filho tem uma trajetória administrativa e política que não desaparece com uma derrota.

Obras, políticas públicas e realizações devem ser examinadas pelos resultados, independentemente de quem esteja no poder. O patrimônio de Alagoas pertence à população. Uma eleição muda o comando do governo; não autoriza o desmonte do que funciona.

Cabe agora a JHC demonstrar que a confiança conquistada pode produzir resultados para todo o Estado. Governar Alagoas exige compreender realidades distintas. As necessidades de Maceió convivem com as do Agreste, do Sertão, da Zona da Mata e dos litorais.

O novo governador precisará ouvir, escolher uma equipe competente e estabelecer prioridades. A experiência municipal será uma referência, mas terá de ser adaptada às responsabilidades da administração estadual. O desenvolvimento também precisa alcançar os municípios.

Arthur Lira e os demais representantes de Alagoas em Brasília terão responsabilidade na defesa desses interesses. A força demonstrada durante a eleição deverá servir à conquista de recursos e à execução de projetos.

Outro compromisso indispensável será superar a hostilidade da campanha. O vencedor governará também para quem não votou nele. Nenhum município pode ser penalizado pela posição de seu prefeito, assim como nenhum cidadão pode receber tratamento inferior por sua escolha eleitoral.

Como jornalista, seguirei reconhecendo acertos e cobrando diante dos erros. Minhas escolhas não eliminam esse dever. A vitória concede autoridade para governar, mas não oferece imunidade à fiscalização.

As promessas precisam ser lembradas, os gastos precisam ser explicados e os resultados precisam ser apresentados. Apoiar ou discordar de um governante não pode substituir o compromisso com os fatos e com o interesse público.

Ao vencedor, o troféu. Aos alagoanos, a esperança de mudanças e avanços. JHC chega ao governo com a força construída em Maceió e com uma aliança política importante. Agora, terá de transformar esse patrimônio em benefícios para todo o estado.

Quando os aplausos cessarem, será o trabalho que sustentará a confiança recebida. Que a vitória tenha grandeza para acolher as diferenças e competência para melhorar a vida de quem mais precisa. Alagoas espera.

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