SEGUNDO TURNO
Eleições: Celina Leão é reeleita governadora do Distrito Federal
Sucessora de Ibaneis se reelegeu com apoio de nomes como Michelle Bolsonaro
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), de 49 anos, foi reeleita para o cargo no segundo turno das eleições desse domingo (25), declarou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Com 100% das urnas apuradas, Celina obteve 57,18% dos votos válidos, contra 42,82% de Leandro Grass (PT). Ela recebeu 987,1 mil votos, superando o adversário petista em mais de 248 mil votos.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar por duas horas a votação em todo o país, emitida pouco após as 17h, causou confusão entre mesários e presidentes de seção. Em alguns locais do país, urnas já haviam sido encerradas e contabilizadas, com a impressão dos boletins de urna. A prorrogação do horário é inédita no Brasil.
Durante entrevista coletiva após a divulgação do resultado, Celina fez diversos agradecimentos e relatou que seu adversário havia lhe telefonado para reconhecer a vitória e cumprimentá-la.
Convidados de Alfredo Gaspar, Cabo Bebeto e Fábio Costa acompanharão apuração eleitoral em Brasília
Eleições 2026
O que Paulo Dantas fará após deixar o governo? Ele revela planos para janeiro
Cercado por seguranças, Rico Melquíades vota em Maceió: "Revolucionar o Brasil"
Paulo Dantas diz que aguarda equipe de JHC para iniciar transição: "Nós estamos prontos''
"O coração do servo é o coração do rei. Nós vamos servir com muita humildade a essa cidade", declarou. "Nós vamos governar para todos. Aqueles que votaram, aqueles que não votaram, nós vamos fazer realmente um governo para todo mundo aqui no Distrito Federal."
Ela destacou que, com o resultado, o Distrito Federal será a única unidade da Federação a ter quatro cargos majoritários — a chefia do Executivo e as três cadeiras no Senado — exercidos por mulheres. O DF elegeu Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (ambas do PL) e já contava com Damares Alves (Republicanos) no cargo desde 2022.
"Nós vamos honrar a população trabalhando, servindo, sendo uma capital que será modelo para o Brasil", disse a governadora. Foi a primeira vez que Celina disputou o cargo de governadora. Antes, fora deputada distrital e federal, assumindo, em 2023, o cargo de vice de Ibaneis Rocha (MDB).
Ela passou a comandar a capital federal em março, após Ibaneis deixar o governo com a intenção de disputar uma vaga no Senado — em julho, ele anunciou a desistência da candidatura em meio ao desgaste envolvendo a tentativa frustrada de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Durante a campanha, Celina se afastou do ex-governador e dividiu palanques com os principais nomes da direita no DF: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada Bia Kicis (PL), eleitas senadoras, além de Damares Alves (Republicanos), que já ocupa uma vaga no Senado. Recebeu também o apoio de Flávio Bolsonaro (PL).
A disputa pelo comando do Distrito Federal fora levada ao segundo turno por uma margem pequena de votos. No primeiro turno, Celina obteve 49,93% dos votos válidos, contra 34,47% do petista.
Ela terá mandato até o fim de 2030. Entre os desafios iniciais da governadora reeleita está a crise envolvendo a compra frustrada do Banco Master, de Daniel Vorcaro, pelo BRB — ela já busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para recompor o caixa da instituição.
Também disputaram o primeiro turno da eleição Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Capelli (PSB), Kiko Caputo (Novo), Professora Samara Mineiro (UP), Professor Robson (PSTU), Elisson (Agir), Expedito Mendonça (PCO) e Rico Pinheiro (PRTB).
A disputa ao Governo do DF foi marcada, ainda, pela rejeição da candidatura de José Roberto Arruda (PSD), em razão de condenações por improbidade no caso da Operação Caixa de Pandora.
Ex-governador da capital federal de 2007 a 2010, Arruda chegou a aparecer empatado tecnicamente com Celina em simulação de primeiro turno da pesquisa Datafolha de 21 de agosto.
A campanha do candidato do PSD, porém, perdeu fôlego com os sinais de que ele teria de deixar a disputa, o que se confirmou por decisão do TSE proferida em 24 de setembro, quando Arruda já aparecia em terceiro lugar nas pesquisas.
CASO MASTER-BRB
Celina era vice de Ibaneis quando o BRB tentou comprar o banco de Daniel Vorcaro. Durante a campanha, ela repetiu que não se envolveu na operação. Também disse que não tinha contato com o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, atualmente preso.
Vorcaro, porém, afirmou em abril de 2025 que Celina "não ficou de fora" das discussões e que o discurso dela era "jogo para se preservar na política", de acordo com diálogos extraídos do celular do ex-banqueiro e revelados pela Folha.
Celina disse que a reportagem que mostrava os diálogos estava fora de contexto e criava "uma narrativa que não é verdadeira". A governadora afirmou que nunca teve qualquer tipo de contato com Vorcaro e que sempre foi contra a operação BRB-Master. O Banco Central (BC) rejeitou a compra em setembro de 2025.
O Master foi liquidado pela autoridade monetária em novembro do mesmo ano, após a prisão de Vorcaro em operação da Polícia Federal quando embarcava em um jatinho para o exterior.
A compra de carteiras de crédito falsas do Master seguida pela tentativa de aquisição do banco provocou um rombo bilionário no BRB, cujo principal acionista é o Governo do Distrito Federal.
O tamanho do prejuízo do BRB, porém, ainda não foi tornado público. Desde que o escândalo Master veio à tona, nenhum relatório operacional foi apresentado, como as demonstrações de resultados de 2025 e do primeiro semestre deste ano.
Investigações da PF concluíram que o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master. A maioria desses repasses era constituída de títulos falsos, ou seja, sem valor — somando cerca de R$ 12,2 bilhões.
Celina tem insistido em um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC para recompor o caixa do BRB, mas a medida enfrenta a resistência de grandes bancos, que participariam da operação como fiadores.