Bairros afundados
Assembleia debate consequências do desastre da mineração
Caravana da Igreja Católica reúne autoridades e moradores atingidos pela Braskem e cobra reparação dos danos
O plenário da Assembleia Legislativa de Alagoas recebeu ontem a Caravana pela Ecologia Integral, iniciativa da Igreja Católica que debate os impactos da mineração. O encontro discutiu as consequências da exploração de sal-gema pela Braskem em Maceió, que provocou o afundamento do solo nos bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e em parte do Farol.
A sessão especial foi proposta pelos deputados Ronaldo Medeiros (PT) e Carla Dantas (MDB) e aprovada por unanimidade. Medeiros destacou que as consequências do desastre persistem e que as comunidades atingidas ainda enfrentam dificuldades e se sentem injustiçadas. Segundo ele, o debate sobre ecologia integral deve considerar também os aspectos humanos e econômicos da mineração.
Representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Vicente de Paula defendeu a participação dos atingidos na definição de seus direitos e na cobrança por reparação. Integrante da Comissão Especial para Ecologia Integral e Mineração, ele relacionou a iniciativa à experiência de Brumadinho (MG), onde o rompimento de uma barragem da Vale, em 2019, provocou uma das maiores tragédias ambientais do País.
O promotor de Justiça Jorge Dórea, representante do Ministério Público Estadual (MPE), afirmou que o órgão atua no caso desde o início, em conjunto com o Ministério Público Federal e as defensorias públicas. Segundo ele, as primeiras medidas buscaram proteger os moradores das áreas sob risco de colapso, mas, quase oito anos depois, ainda existem ações e negociações em andamento.
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Também participaram o arcebispo de Maceió, dom Beto Breis; a procuradora da República Roberta Bomfim; o defensor regional de Direitos Humanos, Diego Martins Alves; e representantes das comunidades atingidas.
Moradora do Bom Parto há 38 anos, Glauciane Alves relatou o sofrimento emocional provocado pelo desastre e revelou ter atentado contra a própria vida. Ela cobrou assistência psicológica às vítimas, além das garantias jurídicas. “Não deixem a gente morrer, pelo amor de Deus!”, apelou.