Aumento
Reação da arroba reacende expectativas na pecuária
Depois de um período de retração, a arroba hoje gira em torno de R$ 350 em alguns mercados
Depois de um período de pressão sobre os preços do boi gordo, o mercado pecuário brasileiro começa a registrar sinais de reação. A arroba voltou a ganhar força e já gira em torno de R$ 350 em algumas praças, movimento que reacende expectativas entre produtores e especialistas sobre uma possível mudança de ciclo na pecuária de corte. O cenário tem despertado atenção no setor e deve estar no centro das discussões da nona edição do Encontro de Pecuária de Corte do Nordeste, que acontece nos dias 23 e 24 de abril, no Centro de Convenções de Maceió.
Considerado um dos principais encontros técnicos da pecuária de corte no Nordeste, o evento reúne produtores, técnicos, pesquisadores e empresas do setor para discutir tendências de mercado, tecnologias e estratégias de gestão voltadas ao aumento da produtividade no campo. Em um momento de transição do mercado pecuário, a organização avalia que o debate técnico se torna ainda mais relevante para orientar decisões nas propriedades.
De acordo com o diretor do evento, Marcelo Araújo, o atual comportamento da arroba indica um momento de atenção estratégica para os pecuaristas.
“Estamos vivendo um momento de expectativa para o pecuarista brasileiro. Depois de um período de retração, a arroba voltou a reagir e hoje já gira em torno de R$ 350 em alguns mercados. Alguns especialistas acreditam que podemos estar diante de uma virada de ciclo na pecuária de corte. Mas é importante entender que o preço da arroba não se move apenas por expectativa; ele responde principalmente ao equilíbrio entre oferta e demanda. O que estamos começando a observar é justamente uma mudança nesse cenário, com redução no estoque de animais em alguns dos principais países produtores”, afirmou.
Segundo Araújo, a dinâmica da pecuária é fortemente influenciada pelo tamanho do rebanho disponível para abate. Quando há excesso de animais no mercado, os preços tendem a cair; quando a oferta diminui, o mercado reage. Nos últimos anos, o setor registrou aumento no abate de fêmeas e ajustes na produção, fatores que começam a refletir na disponibilidade de animais.
“Pela primeira vez, estamos vendo uma redução mais clara no estoque de gado não apenas no Brasil, mas também em grandes produtores mundiais, como Estados Unidos e Austrália. Esses países são grandes players do mercado global de carne bovina, e qualquer movimento no tamanho dos rebanhos impacta diretamente o equilíbrio internacional da oferta. Quando há menos animais disponíveis, o mercado começa a reagir, e os preços tendem a se recuperar gradualmente”, explicou Marcelo Araújo.
A avaliação de especialistas é de que essa recomposição do mercado deve ocorrer de forma progressiva ao longo dos próximos anos. Parte das análises do setor aponta que, entre 2026 e meados de 2028, o mercado pode entrar em uma fase mais favorável para a valorização da arroba, acompanhando a redução do ciclo de oferta de animais.
Para o diretor do Encorte, porém, o momento exige cautela e planejamento. Segundo ele, mais importante do que esperar pela valorização da arroba é saber como transformar esse cenário em rentabilidade dentro das propriedades.
“Não se trata apenas de criar expectativa de aumento de preço. O pecuarista precisa olhar para esse momento de recuperação da arroba como uma janela estratégica para organizar a atividade. Se ele começa a ter mais faturamento, a pergunta que precisa fazer é: onde investir para aumentar a produtividade e a eficiência dentro da fazenda? Quais tecnologias podem trazer mais resultado? Como estruturar melhor a gestão da propriedade para transformar essa receita em lucro consistente?”, analisou.
Nesse contexto, o conhecimento técnico passa a desempenhar papel decisivo. A adoção de práticas mais eficientes, como manejo adequado de pastagens, suplementação nutricional estratégica, gestão de custos e uso de tecnologias produtivas, pode ampliar significativamente os resultados na atividade pecuária.
É nesse cenário que encontros técnicos ganham relevância. A programação do 9º Encorte reúne especialistas e profissionais reconhecidos nacionalmente para discutir tendências de mercado, inovação tecnológica e estratégias de gestão aplicadas à pecuária de corte.
Segundo Araújo, o objetivo do evento é oferecer ao produtor não apenas informações sobre o mercado, mas também ferramentas práticas para melhorar o desempenho das propriedades. “O Encorte nasceu com a proposta de levar conhecimento aplicável para dentro da fazenda. Ao longo desses nove anos, vimos produtores participarem do encontro, conhecerem tecnologias, estratégias de manejo e modelos de gestão e, depois, implementarem essas soluções em suas propriedades. Isso é gratificante, porque mostra que o evento contribui para transformar a pecuária. Nosso desafio agora é ampliar esse alcance e consolidar o Encorte como um grande encontro técnico da pecuária brasileira”, afirmou.
Além do conteúdo técnico, o evento também se consolidou como espaço relevante para geração de negócios. Empresas de diferentes segmentos do agronegócio participam, apresentando soluções voltadas à produção pecuária, incluindo nutrição animal, sementes de pastagens, tecnologia aplicada ao campo, máquinas e implementos agrícolas.
Na edição anterior, o encontro movimentou mais de R$ 10 milhões em negócios, reforçando o papel do evento como ponto de conexão entre conhecimento técnico, inovação e oportunidades comerciais no setor.
A expectativa da organização é reunir mais de mil produtores, técnicos e profissionais do agro durante os dois dias de programação, consolidando o evento como referência para a pecuária de corte no Nordeste e ampliando sua projeção nacional.