Estudo
Bactérias beneficiam o cultivo de pimenta-do-reino e podem reduzir uso de químicos
Resultados indicam aumento de até 75% no crescimento das plantas e 333% na massa das raízes
Pesquisadores brasileiros identificaram duas bactérias endofíticas — microrganismos que vivem naturalmente no interior das plantas — com potencial para transformar o cultivo da pimenta-do-reino, cultura de grande importância econômica e social no país.
O estudo aponta que as linhagens Priestia sp. T2.2 e Lysinibacillus sp. C5.11 são capazes de estimular o crescimento das plantas e o enraizamento de estacas utilizadas na propagação da pimenteira-do-reino.
A técnica de estaquia, baseada na retirada de pequenos galhos (estacas) que dão origem a novas mudas, é amplamente utilizada na cultura. No entanto, um dos principais desafios, especialmente na agricultura familiar, é o baixo índice de “pegamento” das raízes, que compromete o desenvolvimento das plantas.
Nos experimentos realizados entre 2023 e 2024 na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), estacas da variedade Singapura foram tratadas com soluções contendo as bactérias. Os resultados foram expressivos.
A linhagem Priestia sp. T2.2 promoveu aumento de até 75% na altura das plantas e de 136% na massa seca da parte aérea, em comparação com plantas não tratadas. Já a Lysinibacillus sp. C5.11 apresentou desempenho ainda mais significativo no sistema radicular, com crescimento de até 333% na massa seca das raízes. Uma terceira linhagem avaliada, Bacillus sp. C1.4, também demonstrou efeitos positivos, embora em menor escala.
Os ganhos estão relacionados à capacidade dessas bactérias de produzir ácido indolacético (AIA), hormônio vegetal que regula o crescimento, além de sideróforos, compostos que capturam ferro no ambiente e aumentam sua disponibilidade para as plantas.
Os testes foram realizados em laboratório e em casas de vegetação, que simulam condições naturais. A próxima etapa da pesquisa será a validação em áreas de produção, incluindo outras variedades de pimenteira-do-reino.
A descoberta é considerada estratégica, especialmente para pequenos produtores, responsáveis por grande parte da produção nacional. Além de melhorar o desempenho das mudas, o uso de microrganismos benéficos pode reduzir a dependência de fertilizantes e defensivos químicos, tornando a cadeia produtiva mais sustentável.
“Isso ocorre porque as bactérias promovem a solubilização dos nutrientes do solo, tornando-os mais disponíveis para absorção pelas raízes”, explica a pesquisadora.