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Clima

El Niño deve provocar escassez de chuvas em Alagoas

Fenômeno climático deve se intensificar a partir de julho, e tendência de um super El Niño não é descartada

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Sertão e Agreste devem ser as regiões mais afetadas pelos impactos do El Niño em Alagoas
Sertão e Agreste devem ser as regiões mais afetadas pelos impactos do El Niño em Alagoas | Foto: embrapa

Essenciais para o bom desempenho da agricultura e da pecuária, as chuvas são aguardadas com expectativa pelos produtores rurais para o plantio e a irrigação das lavouras, bem como para a manutenção das pastagens. Nesse cenário, a ocorrência de fenômenos climáticos como El Niño e La Niña é determinante para o setor agropecuário, uma vez que influencia diretamente a agricultura e a pecuária por meio do excesso ou da escassez de chuvas.

Em Alagoas, segundo Vinícius Pinho, meteorologista e coordenador da Sala de Alerta da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Alagoas (Semarh), apesar de haver sinais de que os índices pluviométricos começarão a aumentar a partir desta semana, o fenômeno El Niño já está em atividade.

“Nós já estamos sob o efeito do El Niño. Por definição, ele consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. O Pacífico altera o regime de ventos e o transporte da umidade que vem da Região Amazônica para o Nordeste brasileiro. Em anos de El Niño, esse transporte de umidade, que é o combustível para a formação de chuvas e que viria com maior intensidade para o Nordeste, fica mais concentrado no Sul do Brasil, gerando chuvas acima da normalidade naquela região”, esclareceu Pinho.

De acordo com o meteorologista, para o momento atual existe uma tendência de um El Niño considerado forte.

“Há também a possibilidade de termos um super El Niño, que ocorre quando a superfície do Pacífico Equatorial chega a dois graus acima da normalidade, e é isso o que está previsto”, alertou.

Pinho reforça ainda que, nos próximos meses, a tendência é de intensificação do fenômeno.

“Com isso, começaremos a sofrer os impactos mais para o final da quadra chuvosa”, reforçou.

O meteorologista alerta que, a partir de julho e agosto, deve ocorrer uma diminuição dos índices pluviométricos em todo o Semiárido brasileiro.

“Isso inclui Alagoas, principalmente na metade oeste do estado. O Agreste e o Sertão devem sofrer um pouco mais com a redução das chuvas. Nossa preocupação é que a recarga hídrica, que deveria ocorrer durante a quadra chuvosa, não resulte em água armazenada suficiente para o período posterior às chuvas. Com isso, é provável que tenhamos uma seca mais severa durante o verão em Alagoas”, afirmou.

Segundo ele, na Zona da Mata alagoana, embora o El Niño também provoque impactos, trata-se de uma região onde normalmente chove mais.

“Nela, pode chover até 1.500 milímetros por ano. Enquanto isso, no Alto Sertão, o normal fica na faixa dos 400 milímetros anuais. Com isso, nessa região, caso chova menos que a média, que já é baixa, o impacto pode ser muito mais sentido. Vale lembrar que os maiores açudes de abastecimento de água ficam na Zona da Mata. No Sertão, não existem grandes reservatórios. A população do Semiárido depende muito de pequenos barreiros, barragens e cisternas, além de carros-pipa. Esse cenário pode gerar impactos nas culturas de milho, mandioca e feijão”, ressaltou.

Pinho reforça ainda que, mesmo com o El Niño, não pode ser descartada a ocorrência de eventos extremos, principalmente na Zona da Mata e na faixa litorânea de Alagoas.

“São regiões com histórico mais frequente de inundações. É importante destacar que, mesmo em anos de El Niño intenso, não é incomum a ocorrência de diversos dias bastante secos dentro da quadra chuvosa, seguidos por eventos extremos de chuva. Vale lembrar que, em 2017, estávamos sob a maior seca do Semiárido brasileiro quando, no auge da estiagem, tivemos uma chuva extrema que atingiu principalmente a região das lagoas”, lembrou.

Junho

O meteorologista destaca ainda que junho deve registrar chuvas dentro da normalidade ou próximas dela.

“Vale destacar que junho é considerado o mês mais chuvoso do estado, sendo apontado como o principal período de recarga hídrica, quando as reservas são reabastecidas. É muito importante para Alagoas que tenhamos volumes mais expressivos do que os que vêm sendo registrados recentemente”, finalizou.

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