El Niño
Molion descarta a possibilidade de um super El Niño
Meteorologista afirma que o aumento da temperatura das águas do Pacífico teria sido provocado por um terremoto superficial ocorrido no Japão
Ao contrário do que vem sendo divulgado sobre a chegada de um novo super El Niño, que, em Alagoas, poderia implicar a redução das chuvas e prejudicar a agricultura e a pecuária, o meteorologista Luiz Carlos Molion afirma que não há indícios que comprovem a ocorrência do fenômeno climático.
“Muita gente diz que esse super El Niño seria pior que o de 1877, quando a temperatura do mar nem sequer era medida. As pessoas estão sendo alarmistas. Não existe esse El Niño”, declarou o pesquisador.
Segundo ele, o aumento da temperatura das águas do Pacífico teria sido provocado por um terremoto superficial ocorrido no Japão. “Ele ocorreu a apenas 10 quilômetros de profundidade e isso transferiu energia, criando ondas internas que levaram água quente para a região do Pacífico. Não tem nada a ver com o El Niño tradicional”, destacou.
Durante palestra que integrou a programação do 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-Açúcar de Alagoas, realizado em Maceió entre os dias 7 e 10 de julho, o meteorologista apresentou sua previsão climática para o período até março de 2027, sem a ocorrência do El Niño. Também abordou a perspectiva para os próximos dez anos, período que, segundo ele, deverá ser marcado por um resfriamento.
“De acordo com os meus estudos, a próxima grande seca para as regiões Norte e Nordeste deve ocorrer apenas entre 2034 e 2035. Com isso, há tempo para se preparar para esse período. Com a tecnologia existente hoje, podemos atravessar essa fase sem grandes problemas”, afirmou o pesquisador, que destacou possuir mais de 50 anos de atuação acadêmica e defendeu que o produtor rural mantenha suas atividades normalmente.