Crescimento
Piracanjuba abre novo mercado para o leite de Alagoas
Grupo compra fábrica em Monteirópolis e, com apoio do governo Paulo Dantas, prepara investimentos para captar até 350 mil litros por dia
A Piracanjuba procurou o governo de Alagoas no fim do ano passado interessada em comprar leite no estado para abastecer sua indústria em Nossa Senhora da Glória, em Sergipe. A negociação avançou e tomou outro rumo: em vez de apenas levar a matéria-prima, o grupo decidiu comprar uma fábrica e produzir em território alagoano.
A aquisição do Laticínio Sertão, em Monteirópolis, abre um novo mercado para os produtores e reforça a fase de expansão da cadeia leiteira conduzida pelo governo Paulo Dantas. A empresa começa ampliando a captação e prepara a modernização da unidade para produzir queijos, leite condensado e outros derivados.
“Eles chegaram querendo levar o leite para Sergipe e acabaram trazendo a indústria para Alagoas”, resume a secretária da Fazenda de Alagoas, Renata dos Santos.
A negociação contou com a participação direta do governador Paulo Dantas. Em reunião na última segunda-feira (27/7) com os dirigentes da Piracanjuba, o Estado apresentou incentivos, segurança jurídica e apoio à infraestrutura necessária para a expansão da fábrica.
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Segundo Renata dos Santos, a conversa inicialmente tratava da concessão de um regime especial para permitir que a empresa comprasse leite dos produtores alagoanos e transportasse o produto para Sergipe. O diálogo, no entanto, evoluiu para uma operação industrial no próprio estado.
“A Piracanjuba percebeu que Alagoas tinha produção, localização estratégica e condições para receber o investimento. O governo trabalhou para oferecer segurança tributária e institucional, permitindo que a empresa avançasse na compra da indústria”, explicou a secretária.
“A Piracanjuba é a segunda maior empresa de laticínios do Brasil e agora está em Alagoas, na nossa bacia leiteira. Vai gerar mais de 200 empregos diretos e comprar 350 mil litros de leite dos nossos produtores”, afirmou Paulo Dantas.
NOVA FASE PARA
O LEITE
Atualmente, o Laticínio Sertão absorve cerca de 50 mil litros por dia. A meta inicial é elevar esse volume para aproximadamente 75 mil litros. Durante o processo de reforma, parte do excedente poderá ser processada temporariamente na unidade da Piracanjuba em Sergipe.
Com a modernização da fábrica, prevista para ocorrer gradualmente nos próximos dois anos, a captação poderá chegar a 350 mil litros diários. Todo o leite comprado pela empresa deverá ser produzido em Alagoas.
O volume representa cerca de 17% da produção estadual, estimada em mais de 2 milhões de litros por dia. Para o produtor, a chegada de uma empresa desse porte significa mais uma opção de venda, maior concorrência entre compradores e melhores condições para planejar a produção.
A nova operação também reduz a dependência de Alagoas de indústrias localizadas em outros estados. Em vez de sair como matéria-prima, uma parcela maior do leite passará a ser industrializada em Monteirópolis, gerando empregos, arrecadação e renda dentro do próprio estado.
MODERNIZAÇÃO
DA FÁBRICA
A Piracanjuba costuma adquirir unidades existentes, investir na modernização das plantas e ampliar progressivamente a produção. Em Monteirópolis, o projeto prevê melhorias na fabricação de queijos e a implantação de uma linha de leite condensado.
O grupo também deve aumentar gradualmente o número de produtos fabricados na unidade. A fábrica passa a integrar o plano de expansão da empresa nas regiões Norte e Nordeste, com Alagoas ocupando posição estratégica para abastecer esses mercados.
O governo concedeu regime tributário especial temporário, com vigência a partir de 1º de agosto, para permitir o escoamento do leite durante a fase de transição. A empresa também prepara seu pedido de enquadramento no Programa de Desenvolvimento Integrado de Alagoas (Prodesin).
O programa pode assegurar redução de até 92% do ICMS relativo à produção, como contrapartida aos investimentos, à geração de empregos e à compra de leite dos produtores alagoanos.
De acordo com o secretário especial da Receita Estadual, Francisco Suruagy, o Kiko Suruagy, o benefício temporário permite que a empresa amplie imediatamente a compra de leite, mesmo antes da conclusão das obras na fábrica.
“O regime especial foi necessário para que a Piracanjuba pudesse começar a fortalecer sua relação com os produtores. Durante a modernização da unidade, o excedente poderá ser levado para Sergipe, mas todo o leite captado será produzido em Alagoas”, explicou.
Kiko Suruagy acrescenta que o incentivo definitivo será vinculado ao projeto de expansão apresentado pela empresa. “A Piracanjuba vai entrar com o pedido no Prodesin, assumindo compromissos de investimento, geração de emprego e aumento da captação. Os benefícios são concedidos para que a indústria invista, produza e compre cada vez mais leite no estado”, afirmou.
Segundo ele, a experiência da empresa em outros mercados aponta para uma expansão superior à previsão inicial. “A forma de atuação do grupo é comprar uma unidade, modernizar a planta e ampliar gradualmente a produção. Historicamente, eles acabam captando quase o dobro do volume projetado no começo”, destacou.
INFRAESTRUTURA
O estado trabalha ainda para atender às necessidades de energia, água bruta e acesso à unidade. Estão previstas reuniões com a Equatorial, a Casal e órgãos de infraestrutura para definir as intervenções, incluindo melhorias em cerca de 3,7 quilômetros da estrada que leva à fábrica.
A produção de leite condensado exigirá reforço no fornecimento de energia e maior disponibilidade de água. Essas demandas já foram apresentadas ao governo e serão tratadas com as empresas e os órgãos responsáveis.
Para Renata dos Santos, a articulação entre incentivos fiscais e infraestrutura foi decisiva para consolidar o investimento. “Não basta conceder o benefício tributário. É preciso garantir estrada, água, energia e as condições para que a empresa produza dentro de sua capacidade e continue ampliando a operação”, afirmou.
A chegada da Piracanjuba se soma aos investimentos da Alvoar, responsável pelas marcas Betânia e Camponesa, e da Natville. As três empresas devem ampliar fortemente a capacidade de processamento e criar um mercado mais diversificado para o leite produzido em Alagoas.
Além da compra da produção, os grupos trabalham com programas de assistência técnica, melhoria da qualidade e aumento da produtividade nas fazendas. O efeito esperado não se limita às fábricas: chega diretamente ao produtor.
Alagoas começa, assim, uma nova fase no setor. O estado deixa de ser apenas fornecedor de leite in natura para indústrias de Pernambuco e Sergipe e passa a ampliar seu próprio parque de processamento.
A Piracanjuba veio inicialmente para comprar leite. Encontrou condições para investir, adquiriu uma indústria e abriu um novo mercado para a produção alagoana.