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COMÉRCIO EXTERIOR

Corte de 35% na Cota Americana amplia perdas para o açúcar nordestino

Redução de 156 mil para 100 mil toneladas afeta cerca de 50 usinas do Norte e Nordeste; Alagoas, principal beneficiário da cota brasileira, pode perder mais de US$ 40 milhões

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A redução da Cota Americana compromete um dos mercados mais rentáveis para o açúcar nordestino e amplia as perdas para a cadeia sucroenergética da região
A redução da Cota Americana compromete um dos mercados mais rentáveis para o açúcar nordestino e amplia as perdas para a cadeia sucroenergética da região | Foto: BCCOM

A decisão do governo dos Estados Unidos de reduzir em 35% a Cota Americana destinada ao açúcar brasileiro abriu uma nova frente de preocupação para o setor sucroenergético do Nordeste. No fim de julho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) reduziu de 155.993 para 100 mil toneladas a participação do Brasil na cota tarifária para o ano fiscal de 2027, mantendo inalterado o volume global do programa.

A medida afeta diretamente cerca de 50 usinas das regiões Norte e Nordeste, responsáveis pelas exportações brasileiras dentro do regime preferencial. Em Alagoas, o impacto tende a ser ainda maior. Historicamente, o estado responde por aproximadamente metade da Cota Americana destinada ao Brasil, considerada um dos mercados mais rentáveis para o açúcar regional por oferecer preços superiores aos praticados no mercado internacional.

Segundo estimativas do setor, a redução da cota poderá provocar perdas próximas de US$ 93 milhões para os estados do Norte e Nordeste. Como Alagoas concentra cerca de metade desse volume, o prejuízo para o estado pode superar US$ 40 milhões. Além disso, permanece a tarifa adicional de 25% sobre as 100 mil toneladas que continuarão sendo exportadas aos Estados Unidos, reduzindo ainda mais a competitividade do açúcar brasileiro.

Para o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Etanol de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, o principal problema deixou de ser a sobretaxa anunciada anteriormente e passou a ser a redução do espaço destinado ao açúcar brasileiro.

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“A redução da cota é o aspecto mais preocupante. Ela diminui nossa participação justamente no mercado que oferece a melhor remuneração para o açúcar brasileiro”, afirma.

Mesmo com a tarifa adicional de 25%, o dirigente ressalta que o setor continuará exportando para preservar sua participação no mercado americano. “Vamos exportar mesmo com a tarifa para não perder a cota”, afirma.

Pedro Robério lembra, no entanto, que vender açúcar aos Estados Unidos fora da Cota Americana continua sendo economicamente inviável. “A tarifa normal já alcança 101%. Com o acréscimo de mais 25%, não existe viabilidade econômica para exportações fora da cota”, explica.

O redirecionamento desse açúcar para outros mercados também não elimina as perdas. “O mercado americano paga melhor pelo nosso produto. Mesmo conseguindo vender esse açúcar para outros destinos, a receita será menor”.

SETOR BUSCA REAÇÃO EM BRASÍLIA

A redução da cota motivou uma mobilização das entidades representativas do setor. Pedro Robério Nogueira e o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Etanol de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, participaram de uma reunião no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em Brasília, para apresentar os impactos da medida ao governo federal.

A avaliação das entidades é de que a combinação entre a redução da Cota Americana e a manutenção da tarifa de 25% compromete a rentabilidade das exportações, reduz a competitividade do açúcar brasileiro e amplia as dificuldades de um setor que já enfrenta queda nas cotações internacionais da commodity e margens cada vez mais apertadas.

Para os dirigentes, preservar o acesso ao mercado norte-americano continua sendo estratégico para a sustentabilidade da agroindústria canavieira do Nordeste. Mais do que o volume embarcado, a Cota Americana representa um diferencial importante de receita para as usinas e para toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar.

Para Robério Nogueira, principal problema passou a ser a redução do espaço destinado ao açúcar brasileiro
Para Robério Nogueira, principal problema passou a ser a redução do espaço destinado ao açúcar brasileiro | Foto: BCCOM

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