Estudo
Pesquisa identifica plantas mais resistentes à cigarrinha-do-arroz
Próximo passo é utilizá-las no programa de melhoramento do arroz para gerar novas variedades
A cigarrinha-do-arroz (Tagosodes orizicolus) é um inseto que ganhou importância nos últimos anos na rizicultura devido a surtos de infestação e aos danos que causa pela alimentação, por meio da sucção da seiva das plantas. As perdas, tanto em sistemas irrigados quanto em terras altas, podem chegar a 100%, dependendo da intensidade do ataque. Uma das maneiras de auxiliar no controle do inseto é o uso de variedades resistentes.
A Embrapa Arroz e Feijão (GO) identificou dois materiais com resistência à sogata que podem auxiliar os produtores no manejo dessa praga. A cultivar BRS A705, lançada em 2022, e o genótipo BGA 6914, armazenado no Banco Ativo de Germoplasma do centro de pesquisa, foram os mais resistentes.
Também conhecida como sogata, a cigarrinha-do-arroz possui o tamanho da cabeça de um alfinete, entre 2 e 3 milímetros. Apesar de minúscula, suas populações podem crescer rapidamente. A praga suga a seiva das folhas, colmos e panículas, provocando secamento, amarelecimento e morte das folhas.
Como consequência da alimentação, o inseto também elimina uma substância rica em açúcar que favorece o crescimento do fungo responsável pelo desenvolvimento da fumagina, caracterizada por estruturas pretas sobre as folhas que diminuem a área de fotossíntese.
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Por ser uma praga emergente, a cigarrinha-do-arroz ainda não está incluída entre os principais insetos que atacam a cultura. Por isso, não existem inseticidas registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para seu controle, segundo o pesquisador José Alexandre Freitas Barrigossi, da Embrapa Arroz e Feijão.
A Embrapa Arroz e Feijão realizou experimentos, ao longo de dois anos, para conhecer o nível de resistência de suas cultivares e identificar fontes de resistência ao inseto que possam ser utilizadas no programa de melhoramento do arroz.
Os estudos envolveram avaliações relacionadas à interação inseto-planta, como a atividade e a preferência alimentar da espécie e aspectos ligados à sua reprodução. A cultivar BRS A705 e o genótipo BGA 6914 foram os menos preferidos pela praga e os que mais interferiram negativamente em seu desenvolvimento e sobrevivência.
O manejo integrado de pragas, com diferentes métodos de controle associados, entre eles o uso de plantas mais resistentes, é o caminho sustentável para conter a sogata, complementa Barrigossi. Ele aponta que utilizar exclusivamente o controle químico para combater a cigarrinha-do-arroz nem sempre é o método mais eficaz.
Para o futuro, a pesquisa deve seguir aprimorando o manejo integrado de pragas, com sistemas de monitoramento da infestação das lavouras pela cigarrinha-do-arroz, geração de cultivares mais resistentes, estudo de agentes biológicos para o desenvolvimento de bioinseticidas e testes com produtos químicos.