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Comitê especial prepara Alagoas para mitigar impactos do El Niño

Medida tem caráter preventivo e busca reunir informações de diferentes áreas para identificar riscos e permitir ações antecipadas diante de possíveis mudanças nas condições climáticas

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El Niño pode reduzir a quantidade de chuvas e agravar a seca em municípios alagoanos
El Niño pode reduzir a quantidade de chuvas e agravar a seca em municípios alagoanos | Foto: EMBRAPA GADO DE CORTE

O Governo de Alagoas decidiu se antecipar aos possíveis efeitos do El Niño e criou uma estrutura para acompanhar de perto as condições climáticas no estado. O decreto que institui o Comitê Interinstitucional para Prevenção, Monitoramento, Preparação e Resposta aos Impactos Decorrentes do Fenômeno El Niño, o Comitê El Niño, foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 25 de agosto.

A medida não significa que Alagoas esteja diante de uma situação de emergência. A ideia é justamente trabalhar com prevenção, reunindo informações de diferentes áreas para que o poder público consiga identificar riscos e agir com antecedência caso as condições climáticas mudem.

O El Niño é um fenômeno que altera a circulação atmosférica e pode provocar mudanças no comportamento das chuvas e das temperaturas. Em Alagoas, essas alterações podem trazer períodos de chuva abaixo da média, afetando principalmente o abastecimento de água, os reservatórios e a produção agrícola e pecuária.

No decreto governamental, são consideradas possíveis consequências para áreas como agricultura, saúde, infraestrutura, segurança alimentar, assistência social e abastecimento. É justamente para observar esse cenário que o novo grupo foi criado.

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De acordo com o documento, a coordenação do grupo de trabalho ficará a cargo da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), com apoio técnico da Superintendência de Prevenção em Desastres Naturais (SPDEN).

A proposta é cruzar informações sobre chuva, temperatura, rios, reservatórios e abastecimento com dados de áreas como agricultura, saúde e assistência social. Com isso, o governo pretende identificar quais regiões e setores podem ficar mais vulneráveis e definir medidas antes que eventuais problemas se agravem.

A iniciativa reúne a Defesa Civil e as secretarias de Agricultura e Pecuária, Saúde, Infraestrutura e Assistência e Desenvolvimento Social, além de órgãos das esferas estadual e federal, como Casal, Arsal, Iteral, Codevasf, Incra, Conab e o Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas (ICAT/Ufal).

“Essa Câmara Técnica foi criada para que a gente consiga mitigar os efeitos do El Niño. A gente já está sob efeito dele. A tendência é que, a partir de setembro, ele se intensifique. O ano de 2027 vai ser um ano mais problemático em relação ao El Niño. Na Câmara Técnica, cada órgão envolvido vai ter uma participação dentro das ações. A gente também vai buscar soluções no Governo Federal. Por exemplo, não adianta ter cisterna no Estado se não tem água. Então, a Operação Carro-Pipa, nós vamos pedir ampliação para o Estado de Alagoas por meio da Defesa Civil Nacional e, na Defesa Civil Estadual, também buscar os planos de contingência dos municípios alagoanos que eles têm para o El Niño. Temos mais de 40 municípios no Semiárido alagoano, onde 32 decretaram situação de emergência por conta da seca. Criamos o comitê e serão criadas as câmaras técnicas”, declarou o secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, João Ygo da Costa.

Um dos principais resultados esperados pelo comitê será a elaboração de um Plano de Ações Interinstitucionais para Minimização dos Impactos Decorrentes do El Niño, com medidas a serem adotadas diante dos diferentes cenários. O documento deverá apontar áreas prioritárias, grupos mais vulneráveis, responsabilidades de cada órgão e formas de comunicação e alerta à população.

Segundo o secretário, o Estado já realizava o acompanhamento do El Niño.

“Todo dia é feito o monitoramento do nível da temperatura oceânica. O El Niño é um fenômeno provocado pelo aquecimento das águas do Pacífico numa parte chamada de El Niño. Então, é o aquecimento da água que provoca o aumento dessa temperatura. Com o aumento dessa temperatura, os ventos que sopram para a região amazônica e que trazem chuva para o Nordeste se desviam. Com isso, o Sul vai sofrer com enchentes e chuvas prolongadas, enquanto o Nordeste vai sofrer com a estiagem”, esclareceu.

MONITORAMENTO

O monitoramento do comitê também deverá observar indicadores como os acumulados e déficits de chuva, níveis dos rios, condições dos reservatórios e abastecimento de água. Informações sobre agricultura, saúde pública, vulnerabilidade social e segurança alimentar também serão acompanhadas.

O grupo permanecerá em atividade durante todo o período considerado crítico para os possíveis impactos do fenômeno e poderá ter sua atuação ampliada ou modificada conforme a evolução do cenário climático.

Segundo o decreto, o Comitê El Niño se reunirá ordinariamente em periodicidade definida pela coordenação e, extraordinariamente, sempre que houver necessidade, especialmente diante da previsão ou ocorrência de eventos meteorológicos, climáticos ou hidrológicos que possam produzir impactos relevantes no estado. As reuniões poderão ocorrer de forma presencial ou por videoconferência.

“O que a gente pode garantir a partir da criação desse comitê, dessa estruturação e das ações que vão ser executadas ao longo desse período é que a população não precisa entrar em estado de alarme. Afinal, essas ações são voltadas à regularidade dos serviços de abastecimento de água para consumo animal, para consumo humano, bem como para que não haja perda na produção nem de rebanhos. Esse é o nosso intuito. É lógico que não conseguimos atingir 100% dessa seguridade, mas o nosso intuito é minimizar, no mínimo, 80% do que possa vir a acontecer se não tivéssemos a formação desse comitê e a implantação dessas políticas públicas durante esse período de El Niño”, finalizou Ygo da Costa.

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