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De vilão a aliado, El Niño pode melhorar preços na safra de cana em Alagoas

Cotações atingem maior patamar em 19 meses, enquanto moagem de cana cresce 33,8% no estado; setor projeta produção superior a 18,8 milhões de toneladas

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Quase a totalidade das usinas teve aumento na quantidade de cana processada
Quase a totalidade das usinas teve aumento na quantidade de cana processada | Foto: FOTOS: BCCOM ASSESSORIA

O El Niño, fenômeno climático que costuma preocupar os produtores de cana-de-açúcar de Alagoas pelo risco de estiagem, pode, desta vez, ajudar o setor sucroenergético. As chuvas que dificultam a colheita no Centro-Sul brasileiro, associadas aos receios com a produção mundial, impulsionaram as cotações do açúcar na Bolsa de Nova York, que alcançaram o maior patamar em 19 meses.

A recuperação ocorre justamente no início da safra 2026/2027 em Alagoas. Depois de um ciclo marcado por preços internacionais próximos de 14 centavos de dólar por libra-peso, perdas agrícolas e redução da renda dos fornecedores, o setor começa a nova moagem com perspectiva de produzir mais cana e vender açúcar a valores melhores.

No dia 13 de outubro, o contrato de açúcar bruto para março de 2027 chegou a 21,10 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York.

No início do mês, o produto já havia ultrapassado a barreira dos 20 centavos, impulsionado pelo excesso de chuvas na região, que interrompe a colheita e atrapalha o funcionamento das usinas.

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A alta marca uma reação expressiva em relação ao registrado durante a safra passada. Para Alagoas, que exporta mais de 70% do açúcar produzido, o movimento é especialmente importante. As cotações internacionais influenciam a receita das usinas e a formação do ATR (Açúcar Total Recuperável), referência para o pagamento da cana aos fornecedores.

MERCADO LOCAL

Os preços do açúcar também apresentam recuperação em Alagoas. Segundo o indicador Cepea/Esalq, a média da saca de 50 quilos do açúcar cristal passou de R$ 123,54 em junho para R$ 130,99 em setembro, uma valorização de 6,03% no período.

A média de setembro ficou 3,96% acima da registrada em agosto, de aproximadamente R$ 126 por saca. O quadro indica melhora no mercado local, embora os preços ainda não tenham compensado todas as perdas acumuladas no ciclo anterior.

A valorização internacional pode contribuir para elevar a remuneração da cana nos próximos meses. O resultado dependerá da manutenção das cotações, do câmbio e das condições de comercialização do açúcar e do etanol.

ALAGOAS

O início da safra também traz números positivos no campo. Segundo o Sindaçúcar-AL, as usinas processaram mais de 3,6 milhões de toneladas de cana até 15 de outubro, um aumento de 33,8% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.

Das 15 unidades industriais em operação, 14 aumentaram a moagem. A produção de açúcar passou de pouco mais de 183 mil para 274 mil toneladas, uma alta de quase 50% na comparação com igual período da safra anterior. A fabricação de etanol anidro e hidratado chegou a 81.005 metros cúbicos (m³), uma expansão de quase 46%.

Parte desse avanço está relacionada ao calendário de moagem, mas as condições agrícolas também melhoraram. Apesar da redução dos volumes de chuva em algumas regiões, a distribuição das precipitações favoreceu os canaviais. O setor projeta uma safra superior a 18,8 milhões de toneladas, com crescimento acima de 6%.

O presidente da entidade, Pedro Robério Nogueira, já admitiu a possibilidade de superar 19 milhões de toneladas, caso as condições climáticas continuem favoráveis.

A expectativa agora é que a retomada dos preços internacionais se mantenha ao longo da safra. O El Niño ainda oferece risco de estiagem para o Nordeste, mas seus efeitos sobre a produção em outras regiões podem favorecer o mercado do açúcar.

Para Alagoas, depois de uma safra difícil, a combinação de maior produção e preços melhores poderia representar uma mudança importante na remuneração das usinas e dos fornecedores de cana.

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